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Vereador Naifer(NOVO) propõe tratativas para que ETE Nova Esperança possa receber esgoto de Camboriú

Vereador sugere que Balneário Camboriú e Águas de Camboriú estudem parceria para utilização da estrutura ampliada da ETE Nova Esperança

O vereador Naifer apresentou indicação ao Poder Executivo de Balneário Camboriú para que sejam abertas tratativas com a empresa Águas de Camboriú, responsável pelos serviços de esgotamento sanitário de Camboriú, com o objetivo de avaliar a viabilidade de uma parceria para o tratamento do esgoto sanitário do município vizinho na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Nova Esperança, em Balneário Camboriú.

A proposta ganhou força após a entrega, na quinta-feira (17), da nova estrutura de tratamento preliminar da ETE Nova Esperança. A obra recebeu investimentos de R$ 41,2 milhões e possui capacidade hidráulica de projeto de 1.873 litros de esgoto por segundo.

Segundo o vereador, a dimensão da infraestrutura que está sendo implantada justifica a abertura de um diálogo com o município vizinho para verificar se existe capacidade técnica e operacional para uma solução regional de saneamento.

“Não estamos propondo simplesmente trazer o esgoto de Camboriú para Balneário Camboriú. O que estamos propondo é abrir uma discussão e fazer os estudos necessários para saber se isso é técnica, ambiental, jurídica e economicamente viável”, explica Naifer.

A proposta de Naifer considera justamente a possibilidade de aproveitar eventual capacidade adicional da estação, caso os estudos demonstrem que existe margem operacional para receber e tratar efluentes provenientes de Camboriú.

Camboriú passa atualmente por um processo de expansão de sua infraestrutura de esgotamento sanitário. A concessionária Águas de Camboriú informou, em julho deste ano, que o novo sistema projetado para o município contará com 587 quilômetros de rede coletora, 30 estações elevatórias e uma ETE com capacidade de 292 litros por segundo, além de investimentos previstos de R$ 300 milhões no sistema.

A própria concessionária também vem assumindo a operação de diferentes estações de tratamento em loteamentos de Camboriú, enquanto aguarda a implantação da estrutura principal do sistema municipal.

Solução regional para um problema que não termina na divisa municipal

Naifer destaca ainda que Balneário Camboriú e Camboriú estão diretamente conectados pela Bacia Hidrográfica do Rio Camboriú, fazendo com que a qualidade do saneamento de um município tenha reflexos ambientais sobre o outro.

Por isso, segundo o vereador, uma eventual parceria não deve ser analisada apenas como uma questão administrativa entre duas cidades, mas como uma possibilidade de solução regional de saneamento.

“O esgoto não conhece limite municipal. Balneário Camboriú e Camboriú compartilham a mesma bacia hidrográfica. Se existe uma estrutura que está sendo ampliada em Balneário e uma demanda crescente por tratamento em Camboriú, precisamos pelo menos estudar se é possível integrar essas duas necessidades”, afirma.

A proposta também leva em consideração as obras de modernização da ETE Nova Esperança e as obrigações relacionadas à recuperação e adequação da estação. Documentos públicos relacionados ao TAC apontam a necessidade de ampliação e modernização do sistema de tratamento, enquanto o Comitê Intersetorial de Monitoramento da ETE acompanha projetos relacionados à construção de novos tanques de aeração.

Naifer quer estudos antes de qualquer decisão

A indicação não estabelece uma transferência automática do tratamento de esgoto de Camboriú para Balneário Camboriú. O objetivo é abrir as tratativas entre o Município e a concessionária para que sejam avaliados aspectos técnicos, ambientais, jurídicos e econômicos.

Para Naifer, a discussão deve começar pela análise dos dados e da capacidade efetivamente disponível.

“Antes de construir duas estruturas separadas, precisamos saber se existe uma alternativa mais eficiente. Se os estudos demonstrarem que a ETE Nova Esperança pode receber parte do esgoto de Camboriú sem comprometer o sistema de Balneário, por que não estudar essa possibilidade?”, questiona.

A proposta, portanto, busca estimular uma discussão entre os municípios e os responsáveis pelos serviços de saneamento sobre uma possível integração regional da infraestrutura, aproveitando investimentos já realizados e avaliando alternativas que possam ampliar a eficiência do tratamento de esgoto na região.

“É uma proposta para colocar os municípios na mesma mesa, olhar os números e verificar o que é possível. Se for viável, podemos ter uma solução que beneficie os dois municípios. Se não for, os estudos vão demonstrar isso. O importante é não deixar de analisar uma alternativa que pode ser relevante para o saneamento e para o meio ambiente de toda a região”, conclui Naifer.